sábado, 6 de junho de 2026

As diabólicas - Les diaboliques

  

 As diabólicas se inicia com um plano de assassinato sendo colocado em prática, o que nos leva a acreditar que esse será um roteiro previsível e que o grande momento do filme acontecerá junto com o que já presumimos, e ele consegue nos enganar completamente.
 Cristina e Nicole planejam juntas assassinar o homem que para uma é marido, e para a outra amante. Elas traçam um plano aparentemente infalível para matar o cruel Michel, pois ambas sabem que só terão paz com sua partida.
 Com reviravoltas repletas de sombras e suspense, Clouzot consegue trazer a sensação de enclausuramento crescente, onde a culpa e o medo são os fatores principais para desconfiarmos de tudo e todos.


Destaque:
  • As atuações da Simone Signoret e da brasileira Vera Clouzot foram fundamentais para o suspense ser crível.


Direção: Henri-Georges Clouzot
País: França
Ano: 1955
Minha nota: 8/10


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

As harmonias de Werckmeister - Werckmeister harmóniák

 

 Uma enorme baleia embalsamada é trazida a uma pequena e nebulosa cidade húngara por um circo, e esse fato aparentemente inofensivo, faz disparar o motim produzido por um medo já instaurado na população. Através de longos planos sequencia, vemos uma cidadezinha antes pacífica ser tomada pelo caos, criado através das incertezas vividas em uma época sombria.
 Tudo é poeticamente melancólico. As ruas, a lareira, uma baleia e a profunda e triste trilha sonora. Com certeza a melancolia é o que o Béla Tarr mais conseguia expressar em tela, em todas as suas nuances entre saudade e desespero. As harmonias de Werckmeister parece um daqueles sonhos em que recordarmos constantemente de pequenos fragmentos, que nos fazem refletir até lembrar que isso não aconteceu realmente, que era somente um sonho.

 Destaque:
  •  Cada detalhe importa, toda cena foi minunciosamente planejada para exprimir pormenores significativos para a construção da história. Béla Tarr não era imensamente referenciado á toa, você pode até não gostar de seus filmes, mas não passará inatingido por eles.

Direção: Béla Tarr
País: Hungria
Ano: 2000
Minha nota: 9/10


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Holy Motors

  


 Oscar vive diversas vidas no mesmo dia. O seu trabalho consiste em interpretar pessoas completamente diferentes durante uma pequena parte do dia, em alguns trabalhos nós imaginamos o motivo da sua função, mas na maioria nós apenas observamos essa estranha rotina quimérica.
 Para não interferir na sua experiência isso é tudo que você deve saber antes de assisti-lo, então o veja sabendo que esse é um ponto sem volta, pois a partir de agora esse filme será uma memória constante e surreal na sua mente.


Direção: Leo Carax
Ano: 2012
País: França
Minha nota: 9/10


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

O novíssimo testamento - Le tout nouveau testament

 



 Ea é a filha mais nova de deus. Ela, o pai e a mãe moram em um apartamento isolado, onde o pai, violento e controlador, dita as regras cruéis e sarcásticas que regem o mundo para sua própria diversão.
 Cansada desta realidade Ea, orientada pelo seu irmão mais velho, Jesus, resolve ir pra terra, procurar discípulos e escrever um Novíssimo testamento.
 Dentro dessa comédia de absurdos, o retrato de um deus rabugento é o ponto de partida para o desenvolvimento da história, surpreendentemente simplista diante da originalidade desse roteiro, mas mesmo assim bem desenvolvido. Que utiliza recursos como a morte e a "vontade divina" para questionar a utilidade do deus cristão, mesmo sem invalidar a fé.
 É um filme mais sarcástico do que questionador, mais engraçado do que reflexivo... a menos que você seja cristão.

  •  Destaque: A criatividade do roteiro fez toda a diferença ao filme. As exemplificações das maldades de deus, como por exemplo fazer a fila do lado andar sempre mais rápido, ou o pão cair sempre com a geleia pra baixo, nos ajudam a personificar o vilão enxergado pela Ea.

Direção: Jaco Van Dormael
País: Bélgica 
Ano: 2015
Minha nota: 8,5/10



sexta-feira, 25 de agosto de 2023

O congresso futurista - The congress




 A realidade virtual vista apenas como realidade é a abordagem dualista e cada vez menos surrealista de O congresso futurista.
 Robin Wright, interpretando ela mesma, é uma atriz que já teve muito sucesso e fama, mas atualmente está afastada da vida pública, dedicando-se aos filhos, até receber uma intrigante proposta do estúdio de cinema para o qual trabalha. O estúdio deseja digitaliza-la para poder utilizar sua imagem em seus futuros filmes.
 Em tempos de greve de roteiristas e atores em Hollywood, O congresso futurista se torna mais realista e visionário do que poderíamos cogitar quando foi lançado. Com a evolução das inteligências artificiais muitos trabalhos artísticos (ou não) podem não ser mais necessários, mas a questão que o filme levanta é: isso seria totalmente prejudicial?    
 Existencialista e muito surrealista, O congresso futurista é um filme para quem consegue mergulhar no ilógico e enxergar um mar de reflexões ao invés de um linear de respostas.
 É doido e é lindo


Direção: Ari Folman
Ano: 2014
País: França, Alemanha, Bélgica e Polônia 
Minha nota: 8,5/10


terça-feira, 1 de novembro de 2022

Hora de morrer - Pora Umierac


 Aniela é uma idosa que vive em uma grande casa que é a sua própria personificação. Velha, mesmo estando cercada de outros é isolada e com vários sinais de desgaste pelo tempo. Como sua única companhia ela tem a cadela Filadélfia, que acompanha diariamente suas lembranças, reclamações e sua espera pelos telefonemas e visitas do filho, para quem pretende passar a casa já que pressente que a hora de sua morte está próxima. Os planos de Aniela não saem como planejado e ela terá que usar de toda sua esperteza para manter sua casa a mesma depois de sua ida.
Hora de morrer tem uma imensurável sutileza ao tratar de assuntos como senilidade, abandono parental e solidão. Tudo nos é mostrado através dos olhos de Aniela, que apesar de resmungona sabe aproveitar os pequenos momentos de felicidade que só as coisas simples da vida podem proporcionar.
Tecnicamente impecável, é uma aula de como um roteiro simples pode ser ótimo e surpreendente. 
Altamente recomendado para melhorar o seu dia.

Direção: Dorota Kedzierzawska
Ano: 2007
País: Polônia
Minha nota: 9/10


domingo, 4 de setembro de 2022

O último jantar - The last supper


 Cinco amigos que moram juntos convidam semanalmente uma pessoa para jantar, com a finalidade de discutirem sobre assuntos diversos. Quando um imprevisto impede que a convidada da semana compareça, um completo desconhecido ocupa o seu lugar e o resultado desse convite é o motivo do título do filme ser O último jantar.
E se você voltasse no tempo para a Áustria, no final do século XIX, e conhecesse um Adolf Hitler ainda criança, bem antes dele cometer as atrocidades realizadas na segunda guerra. O que você faria? Você mataria uma criança? O último jantar vai colocar seu senso de justiça a prova, afinal, quem é realmente imparcial e idôneo o suficiente para decidir quem está certo ou errado?
Observação: Recomendado para assistir com a família conservadora durante um almoço de domingo.

Destaque:
  • Os diálogos são muito bem escritos. Eles te manipulam a normalizar o absurdo sem que você perceba. 

Direção: Stacy Title
Ano: 1995
País: Estados Unidos
Minha nota: 9/10 

sábado, 30 de julho de 2022

Titane


 
 Alexia não é um ser constituído apenas de sangue, pele e ossos. Após sofrer um acidente de carro quando criança, uma placa de titânio foi implantada em seu crânio, o que originou uma estranha conexão de Alexia com automóveis. 
 Esse é o segundo longa da diretora Julia Ducournau, e assim como em Grave, seu filme de estreia, a narrativa é construída de forma aberta a interpretações, poucas ou nenhuma explicação nos é dada sobre as motivações e ações dos personagens, cabe a nós observar e tirar nossas próprias conclusões. Estou informando isso porque o filme que mais pessoas vieram me falar que não gostaram do blog foi o Grave, então este é um aviso de que esse filme não vai te explicar nada e que ele é estranho pra caralho.
 Com algumas cenas muito aflitivas e um enredo surpreendente (mesmo com um desfecho previsível), Titane gerou um interesse/curiosidade em muita gente por retratar a historia de uma mulher que SPOILER SPOILER engravida de um carro FIM DO SPOILER, mas o filme vai muito além dessa história esquisitona. As criticas sociais em Titane são implícitas mas são visíveis, aqui o horror é utilizado assim como sempre foi, para chocar, mas toda a visceralidade exposta por uma mulher constantemente vista como objeto de desejo surpreende muito mais do que as vísceras em si. 

Direção: Julia Ducournau
País: França e Bélgica 
Ano: 2021
Minha nota: 9/10


quinta-feira, 9 de junho de 2022

Cubo - Cube


 Um policial, uma médica, um engenheiro, um fugitivo e uma estudante acordam em uma sala em formato de cubo, sem ter ideia de como e porque estão lá. A sala possui uma pequena passagem em cada parede, que levam a outra sala em formato de cubo, e a maioria delas tem armadilhas mortais, cabendo aos cinco estranhos criarem métodos para tentar descobrir quais cubos tem armadilhas e como evitá-las. 
 O Cubo não foi o primeiro, mas foi o filme que popularizou o gênero "desconhecidos presos em lugar em que precisam achar uma saída para conseguirem sobreviver". Mesmo se passando em praticamente um único ambiente e com a sua visível limitação de recursos, o filme compensa na criatividade do roteiro, ele nunca fica chato ou cansativo, mas algumas atuações podem atrapalhar sua imersão na trama (me atrapalhou um pouco pelo menos). 
 Com sua bela cena inicial, seus personagens bem construídos e sua história diferentona, Cubo, apesar de seus problemas visíveis, é um filme que te prende até a última cena, e é um belo exemplo de filmes de baixo orçamento que obtiveram uma bilheteria dezenas de vezes maior que o seu custo.

Direção: Vincenzo Natali
Ano: 1997
País: Canadá
Minha nota: 7,5/10

 



segunda-feira, 18 de abril de 2022

O corpo - El cuerpo


Ao fugir de algo não revelado, o vigilante noturno de um necrotério é atropelado e entra em coma. Na investigação sobre o caso é percebido que o corpo de uma poderosa milionária desapareceu, e enquanto Jaime, o detetive responsável, interroga o viúvo da milionária, estranhos acontecimentos passam a ocorrer no necrotério, e eles aparentemente são feitos por alguém que sabe o que ocorreu ao corpo e quer que ele seja encontrado.
Com reviravoltas constantes e uma ótima dinamicidade, o roteiro de El cuerpo é o seu grande destaque, pois consegue manter o mistério até a última cena, mesmo entregando pistas de seu desfecho durante todo o filme.

Direção: Oriol Paulo
Ano: 2012
País: Espanha
Minha nota: 8,5/10

domingo, 6 de março de 2022

Os inocentes - De Uskyldige


 Os inocentes traz como protagonista Ida, uma criança que acaba de se mudar para um condomínio com seus pais e sua irmã autista, Anna. As irmãs rapidamente formam um grupo de amigos com Ben e Aisha, e esse grupo tem uma característica em comum que te fará questionar quais são os limites das maldades infantis e como é a percepção para cada criança da linha tênue que as separa.
Surrealismo e realismo, bondade e maldade, consequência e impunidade são opostos muito bem desenvolvidas na trama, pois apesar de apresentar uma história com elementos surrealistas, o filme passa a sensação que aquelas crianças poderiam ser reais. 
Apesar do ritmo lento, a história e os personagens tem um desenvolvimento rápido, não demora para descobrirmos quais os principais traços de suas personalidades e passarmos a desconfiar deles. O filme ter sido filmado majoritariamente durante o dia parece ser uma forma da fotografia andar sincronicamente com o roteiro, pois os personagens estão totalmente expostos à nós, todas as suas ações são claramente demonstradas, o que auxilia na construção da tensão crescente a cada cena.
Aviso: Esse filme contém cenas de violência.

Destaques:
  • As atuações das crianças são excelentes, mas a que mais se destaca (pelo grau de complexidade da personagem) é a atriz que interpreta a Ida, Rakel Lenora Fløttum.
  • A direção do Eskil Vogt, com todas as variações de enquadramentos conseguiu dar muito destaque as interpretações. 

Direção: Eskil Vogt
Ano: 2021
País: Noruega
Minha nota: 9/10

sábado, 19 de fevereiro de 2022

O que fazemos nas sombras - What we do in the shadows


 Neste mocumentário vemos as dificuldades e os benefícios que quatro vampiros de séculos diferentes passam ao dividirem uma casa na Nova Zelândia. Além das populares adversidades que vampiros enfrentam, como não poder sair durante o dia e não poder entrar em um lugar sem ser convidado, o filme também mostra questões rotineiras triviais, como a divisão de trabalhos domésticos, dificuldades em relacionamentos amorosos e como matar as vítimas sem sujar os móveis de sangue.
O que fazemos na sombras tem um roteiro hilário, que consegue fazer inúmeras piadas de como vampiros que tem séculos de existência conseguem se adaptar a vida moderna em uma metrópole sem ficar repetitivo ou cansativo. São inseridas várias subtramas pararelas ao decorrer do filme, o que o deixa cada vez mais instigante e que também nos dá uma visão mais ampla e específica de cada personagem, já que eles são bem distintos.
Altamente recomendado caso você esteja de mau humor.

Direção: Jemaine Clement e Taika Waititi
Ano: 2014
País: Nova Zelândia
Minha nota: 8,5 

domingo, 30 de janeiro de 2022

A noite do demônio - Night of the demon



John Holden é um psicólogo americano que viaja para Inglaterra afim de participar de uma convenção científica. Ao descobrir que seu colega, professor Harrington, faleceu de forma inesperada e que sua sobrinha alega que essa morte foi causada por uma maldição lançada ao professor por ele estar estudando um misterioso culto, mesmo com todos os avisos que lhe foram dados para não continuar Holden resolve investigar o caso, já que o seu ceticismo é muito maior que o seu medo pelo oculto. 
O diretor Jacques Tourneur já havia demonstrado destreza em construir ambientes que exalam terror apenas com cenas cheias de sombras e com ângulos que sugestionam a presença do sobrenatural em seus filmes anteriores, mas nesse filme o produtor quis inserir um demônio por fins de marketing, demônio esse que acabou ilustrando os pôsteres do filme e acabando com toda a dúvida sobre a existência do sobrenatural e o mistério que a ausência dele poderia causar. 
O confronto da incredulidade e do ocultismo é o tema central de A noite do demônio, que são muitos bem sustentados pelos diálogos bem escritos e que também são retratados por diversas cenas onde luz e sombras enfatizam toda a dualidade do filme.
Este filme foi sugerido por um frequentador do blog. Caso você queira sugerir um filme que você não acha em lugar nenhum pode deixar nos comentários.

Direção: Jacques Tourneur
Ano: 1957
País: Inglaterra 
Minha nota: 8/10

Parte 1

Parte 2

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Ninho de musaranho - Musarañas


Duas irmãs vivem em um apartamento na Madri dos anos 50. A mais velha não consegue sair de casa, pois sofre de agorafobia, e a mais nova acaba de completar 18 anos, fato esse que preocupa sua irmã já que agora ela é considerada adulta e pode abandoná-la quando quiser.
Quando Carlos, um misterioso vizinho, entra repentinamente em suas vidas, a rotina das duas é quebrada, causando tensão e intriga às irmãs.
Ninho de musaranho cria um suspense que vai crescendo lentamente, o roteiro insere revelações planejadamente em momentos onde eles causam ainda mais curiosidade. A direção de arte fez toda diferença ao filme, pois como ele se passa majoritariamente dentro do apartamento, a cenografia consegue transmitir um lar aconchegante em certos momentos e claustrofóbico em outros, o que reflete a visão de cada uma das irmãs.

Destaque:
  • As atuações são muito boas mas a Macarena Gómes (que interpreta Montse, a irmã mais velha) é o grande destaque, entregando uma interpretação com um drama gradual, que consegue transmitir o ápice do desespero. 

Diretores: Esteban Roel e Juanfer Andrés
País: Espanha
Ano: 2014
Minha nota: 8,5

domingo, 10 de outubro de 2021

Filhos do paraíso - Bacheha - Ye aseman


Ali,um menino iraniano de 9 anos, perde o único par de sapato da irmã ao busca-lo no sapateiro. Sabendo da bronca que tomará e que seus pais não tem dinheiro para outro par de sapato, Ali pede para que a irmã guarde segredo sobre a perda e propõe que os dois dividam o seu único tênis, já que estudam em horários diferentes e só utilizam o calçado para ir à escola.
Filhos do paraíso mostra de uma forma extremamente cativante aventuras que só crianças conseguem causar e dramas que só adultos conseguem perceber, e também traz tudo que a maioria dos filmes árabes que eu já assisti tem: histórias simples mas criativas, atuações excelentes e uma sensibilidade única.
Esse é um dos filmes que eu indico para todo mundo, pois é praticamente impossível não se emocionar com essa história. Altamente recomendado para restaurar sua fé na humanidade.

Direção: Majid Majidi  
País: Irã
Ano: 1997
Minha nota: 9,5/10

Parte 1


Parte 2

sábado, 25 de setembro de 2021

Ruth em questão - Citizen Ruth



 Ruth, interpretada pela sempre ótima Laura Dern, é uma mulher viciada em drogas, que não tem onde morar e nem como se sustentar. Após ser presa por inalação de vapores perigosos, Ruth descobre que está grávida novamente e o juiz lhe propõe uma diminuição de pena caso ela concorde em realizar um aborto, para que seu bebê não tenha o mesmo destino de seus outros 4 filhos, que ela nem mesmo sabe onde estão.
Depois de pedir por um auxílio divino, Ruth é "ajudada" por dois grupos totalmente opostos. O primeiro é um grupo cristão conservador, que tenta manipula-la a não abortar, e o outro é um grupo pró aborto, que ideologiza a liberdade da escolha a favor do aborto. Ruth é usada como símbolo pelos dois grupos, que nunca passaram pelas coisas que ela passou e que realmente nem se importam com Ruth ou com o possível futuro do bebê, pois para eles é muito mais importante empurrar suas ideologias e brigar com quem discorda delas.  
Ruth em questão mostra pontos além dos assuntos considerados tabus que todos adoram opinar, mesmo tendo algum conhecimento pelo assunto ou não. Ele consegue exibir de forma clara e irônica toda nossa falta de empatia e de respeito com o direito à escolha das pessoas.
Essa sátira politica pode ser usada como analogia para a abordagem de intermináveis assuntos, pois aparentemente só Voltaire defende o direito de fala de algo que não concorda. Fato esse que fica cada vez mais evidente com a internet, onde eu já vi discussões por discordância de opiniões até em site de receita.

Direção: Alexander Payne
Ano: 1996
País: Estados Unidos
Minha nota: 8/10


segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A enviada do mal - The blackcoat's daughter - February


 Kat e Rose esperam seus pais, que não foram busca-las no dia correto na escola interna em que estudam. Rose informou propositalmente o dia errado à eles, pois ela tinha que resolver algo inadiável. Já os pais de Kat simplesmente sumiram, não apareceram, não atendem o telefone e nem deram notícias. Kat começa a ter sonhos e visões de que algo ruim aconteceu com seus pais através de uma presença que começa a cerca-la, trazendo gradualmente mais visões a Kat, e mais horror a todos que ainda estão naquela escola.
Paralelamente também acompanhamos a viagem de Joan, uma jovem que tenta, sem dinheiro e até sem roupas apropriadas para o inverno do Canáda, chegar a mesma escola em que Kat e Rose se encontram. Através de seu comportamento para com o solidário homem que está a ajudando e de seus flashs de memória, nós percebemos que Joan carrega um misterioso passado sombrio, que ela nunca conseguiu deixar para trás.
A enviada do mal traz pontos de virada surpreendentes de todos os personagens e um plot twist que, mano do céu... indescritível. Na mesma época de lançamento desse filme, outros com o mesmo estilo "post-horror" (terror/suspense psicológico, com uma narrativa lenta e com ótimas direções de arte e ambientações) fizeram muito sucesso (ou foram muito criticados), o que eu acredito que apagou a merecida visibilidade que A enviada do mal merecia. 
Obs: Tô vendo que daqui a pouco só vai ter filmes da A24 aqui.
 
Destaque:
  • Destaque para a ótima atuação da (atualmente ídolo dos fãs de séries de terror adolescente da Netflix) Kiernan Shipka. A lenta evolução da atuação contida para uma garota possuída foi surpreendente.

Direção: Oz Perkins
Ano: 2015
País: Canadá 
Minha nota: 8.5/10


domingo, 8 de agosto de 2021

Daniel isn't real


 
Daniel é o amigo imaginário de Luke, que após o incentivar a fazer algo ruim é trancado e esquecido até Luke atingir a idade adulta, quando depois de um momento de crise ele o liberta acidentalmente. 
Agora, as propensões à maldade e a manipulação de Daniel evoluíram, e ele usará todos os seus recursos para dominar o Luke completamente.
Terror leve com um tom que se divide em surrealismo e psicologia, tem uma bela construção estética sombria, onde toda a iluminação e cenário foram bem escolhidos. Este poderia ser um filmaço se o roteiro tivesse se sustentado até o final, mas (pelo menos para mim) ele segue uma linha que não foi a opção mais lógica ou emocionante ao filme.
Daniel isn't real foi muito criticado pelo público, mas na minha opinião ele tem muito mais acertos do que erros. Com certeza vale a pena assisti-lo, principalmente pelas ótimas atuações dos protagonistas Miles Robbins e Patrick Schwarzenegger (sim Schwarzenegger!).
Este filme foi sugeridos por frequentadores do blog, caso você tenha uma sugestão de filme que fuja do comum e que você não acha em lugar nenhum pode deixar nos comentários.

Direção: Adam Egypt Mortimer
País: Estados Unidos
Ano: 2019
Minha nota: 7.5/10

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Sala verde - Green room

                             

A banda punk The ain't rights sai em turnê com uma caminhonete velha e poucos shows na agenda. Depois de um imprevisto eles são convidados para tocar em um bar em troca de um pequeno cachê, e mesmo avisados de que o bar é lotado de skinheads eles aceitam o convite e tocam no local. 
Já se viu numa situação em que você sabia que ia dar merda desde o começo? Essa é a sensação que você terá até o meio do filme. Pois a banda testemunha algo que eles não deveriam ter visto e são trancados em uma sala verde, e é aí que começa o verdadeiro "rolê errado". 
Caso você desconheça a briga entre os punks e os skinheads, saiba que isso ocorre há mais de 40 anos, fato que só acarreta mais tensão à situação. O clima de suspense vai crescendo gradualmente e consegue sustentar o seu ápice por quase todo o segundo e o terceiro ato do filme.
Indicado para quem não aguenta mais filmes de terror com personagens estereotipados, que fazem as piores escolhas possíveis e que só falam idiotices. 
Sala verde é mais um filme da A24, a produtora adorada pelos fãs de filmes que fujam do padrão hollywodiano de cinema.  
Aviso: Esse filme contém cenas de violência.

Diretor: Jeremy Saulnier
País: Estados Unidos
Ano: 2015
Minha nota: 8.5/10

   

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Os invasores de corpos - Invasion of the body snatchers


Super clássico da ficção científica, Os invasores de corpos traz os principais elementos para um ótimo sci-fi: uma história diferentona, suspense e muita paranoia.
Um grupo, formado por Matthew (Donald Sutherland), Elizabeth (Brooke Adams) e seus amigos, começa a investigar o estranho comportamento que a maioria das pessoas passaram a apresentar recentemente. Os habitantes da populosa São Francisco repentinamente ficaram inexpressivos, sem sentimentos e saem em grupos que ninguém sabe para onde vão e o que irão fazer. Essas pessoas inexpressivas logo começam a perseguir os que ainda se comportam normalmente, e Matthew e Elizabeth descobrem que para sobreviver em meio à esse caos, é necessário não dormir.
Os invasores de corpos é uma das minhas ficções científicas preferidas, e se você achou que conhece essa história é porque este filme é um remake do Vampiro de almas (1956), que também possui mais dois remakes e que também inspirou dezenas de outros filmes sobre invasão alienígena. Aliás, esse é um dos extremamente raros casos em que o remake é melhor que original, mesmo o anterior sendo ótimo. 

Destaque:
  • A cena final ficou tão famosa que foi homenageada em diversos filmes e séries.

Direção: Philip Kaufman
País: Estados Unidos
Ano: 1979
Minha nota: 9/10