sábado, 25 de setembro de 2021

Ruth em questão - Citizen Ruth



 Ruth, interpretada pela sempre ótima Laura Dern, é uma mulher viciada em drogas, que não tem onde morar e nem como se sustentar. Após ser presa por inalação de vapores perigosos, Ruth descobre que está grávida novamente e o juiz lhe propõe uma diminuição de pena caso ela concorde em realizar um aborto, para que seu bebê não tenha o mesmo destino de seus outros 4 filhos, que ela nem mesmo sabe onde estão.
Depois de pedir por um auxílio divino, Ruth é "ajudada" por dois grupos totalmente opostos. O primeiro é um grupo cristão conservador, que tenta manipula-la a não abortar, e o outro é um grupo pró aborto, que ideologiza a liberdade da escolha a favor do aborto. Ruth é usada como símbolo pelos dois grupos, que nunca passaram pelas coisas que ela passou e que realmente nem se importam com Ruth ou com o possível futuro do bebê, pois para eles é muito mais importante empurrar suas ideologias e brigar com quem descorda delas.  
Ruth em questão mostra pontos além dos assuntos considerados tabus que todos adoram opinar, mesmo tendo algum conhecimento pelo assunto ou não. Ele consegue exibir de forma clara e irônica toda nossa falta de empatia e de respeito com o direito à escolha das pessoas.
Essa sátira politica pode ser usada como analogia para a abordagem de intermináveis assuntos, pois aparentemente só Voltaire defende o direito de fala de algo que não concorda. Fato esse que fica cada vez mais evidente com a internet, onde eu já vi discussões por discordância de opiniões até em site de receita.

Direção: Alexander Payne
Ano: 1996
País: Estados Unidos
Minha nota: 8/10


segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A enviada do mal - The blackcoat's daughter - February


 Kat e Rose esperam seus pais, que não foram as buscar no dia correto na escola interna em que estudam. Rose informou propositalmente o dia errado à eles, pois ela tinha que resolver algo inadiável. Já os pais de Kat simplesmente sumiram, não apareceram, não atendem o telefone e nem deram notícias. Kat começa a ter sonhos e visões de que algo ruim aconteceu com seus pais através de uma presença que começa a cerca-la, trazendo gradualmente mais visões a Kat, e mais horror a todos que ainda estão naquela escola.
Paralelamente também acompanhamos a viagem de Joan, uma jovem que tenta, sem dinheiro e até sem roupas apropriadas para o inverno do Canáda, chegar a mesma escola em que Kat e Rose se encontram. Através de seu comportamento para com o solidário homem que está a ajudando e de seus flashs de memória, nós percebemos que Joan carrega um misterioso passado sombrio, que ela nunca conseguiu deixar para trás.
A enviada do mal traz pontos de virada surpreendentes de todos os personagens e um plot twist que, mano do céu... indescritível. Na mesma época de lançamento desse filme, outros com o mesmo estilo "post-horror" (terror/suspense psicológico, com uma narrativa lenta e com ótimas direções de arte e ambientações) fizeram muito sucesso (ou foram muito criticados), o que eu acredito que apagou a merecida visibilidade que A enviada do mal merecia. 
Obs: Tô vendo que daqui a pouco só vai ter filmes da A24 aqui.
 
Destaque:
  • Destaque para a ótima atuação da (atualmente ídolo dos fãs de séries de terror adolescente da Netflix) Kiernan Shipka. A lenta evolução da atuação contida para uma garota possuída foi surpreendente.

Direção: Oz Perkins
Ano: 2015
País: Canadá 
Minha nota: 8.5/10