quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Saint Maud


 
Eu não costumo postar filmes que foram lançados recentemente, mas como Saint Maud continua sem data de estreia prevista no Brasil, eu resolvi compartilha-lo com vocês, pois todo mundo deveria ter acesso a essa obra de arte.
 Maud é uma enfermeira muito religiosa, que em seu novo trabalho tem a função de cuidar de Amanda, uma ex-bailarina que sofre com um cancer em estágio avançado. Maud vê seu novo emprego como uma espécie de missão dada por Deus, onde o objetivo que lhe foi designado é a salvação da alma de Amanda.
 Com o passar do filme nós vemos que Maud nem sempre foi dessa forma, algo que ocorreu em seu passado a mudou drasticamente, alterando não só a sua fé como também seu modo de se comportar e de ver o mundo. Alias, o seu modo de enxergar o mundo é o que dá um grande peso ao filme, pois a sua construção sensorial nos coloca no corpo de Maud. Nós vemos tudo através de sua visão distorcida e por isso duvidamos do seu ponto de vista, de seus objetivos e principalmente de sua sanidade.
 Eu esperava há muito tempo para assistir esse filme e minhas expectativas foram superadas positivamente. Saint Maud tem uma estrutura narrativa muito original, a cenografia e a fotografia auxiliam imensamente na percepção da tensão sobrenatural, e eu poderia escrever parágrafos e mais parágrafos de elogios e reflexões sobre o filme mas eu encerarei por aqui já que quando se trata de filme sensorial e que traz elementos ambíguos, o melhor é saber o menos possível antes de assisti-lo.
 Saint Maud é um terror psicológico que com certeza não agradará a maioria, mas como eu sempre digo, saia da sua zona de conforto e tente algo novo. Você pode até não gostar do filme, mas eu garanto que esse final não sairá da sua cabeça tão cedo.

Direção: Rose Glass
Ano: 2020
País: Inglaterra
Minha nota: 9,5/10

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Deus abençoe a América - God bless America



 ALERTA: Este filme é violento, sadista, irônico e muito engraçado. Se você não possui aversão a certos aspectos de nossa atual sociedade, você provavelmente irá odiá-lo. Assista-o por sua conta e risco. 
 Frank tem uma visão sociológica e ética mais apurada que a maioria das outras pessoas, o que naturalmente o transforma em um misantropo, e SPOILER SPOILER SPOILER após descobrir que tem pouco tempo de vida e de toda sua paciência e tolerância terem sido extinguidas pela sociedade, Frank conhece uma adolescente com sérios sinais de psicopatia, que o incentiva e o ajuda a sair por aí matando pessoas extremamente mal educadas e sem nenhuma noção de civilidade; pessoas que falam alto no cinema; pessoas de religiões que não aceitem gays; extremistas conservadores; que chamam outras pessoas de feminazis e de comunistas; pedófilos; que espalham medo à população; hippies; pessoas que falam namastê e claro... pessoas que usam expressões como "na sua cara".  FIM DO SPOILER FIM DO SPOILER FIM DO SPOILER.
  Já teve a impressão de que a tecnologia utilizada no filme A origem realmente existe, e que ela foi utilizada em você mesmo para roubar ideias do seu inconsciente? Bem... imagino que quase ninguém teve essa sensação, mas ao assistir Deus abençoe a America eu tive a impressão que o resultado da invasão do meu inconsciente foi o roteiro deste filme. God bless America me trouxe a maior identificação que eu já tive em um filme, já que eu não consigo passar mais do que algumas horas sem reparar na futilidade, consumismo e à todo o conformismo e adaptação dos seres humanos a essa sociedade fodida. Revoltas à parte, esse é um dos meus filmes favoritos, eu sempre indico pra todo mundo (e normalmente ninguém assiste), e apesar de alguns pequenos furos ele foi muito bem executado, tem boas atuações e uma bela trilha sonora. 
 Obs: Indicado apenas para quem não odeia South Park.

Direção: Bobcat Goldthwait
Ano: 2011
País: Estados Unidos
Minha nota: 9/10

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Hesher - Juventude em fúria



 
A família de T.J., um adolescente de 13 anos, se encontra em uma profunda melancolia devido ao recente falecimento de sua mãe. Durante este triste período, duas pessoas aparecem abruptamente em sua vida, Hesher (Joseph Gordon-Levitt), um homem agressivo e desaforado que resolve se mudar para a casa de T.J. após a garoto acidentalmente ter lhe causado a expulsão do lugar que ele havia invadido para morar, e Nicole (Natalie Portman), uma insegura e solitária mulher que salva T.J. de tomar uma surra de um garoto mais velho que vive o perseguindo. Essas pessoas trazem, respectivamente, raiva e rebeldia, amor e amizade, sentimentos esses que abalam fortemente a frustrada rotina de T.J., que parece nunca parar de piorar.
 Hesher tem uma história que seria muito simples se não fosse pelo personagem título. A falta de noção, respeito e civilidade dele contrastam intensamente com a família de T.J. e dão vida e excentricidade à sua história. O filme com certeza divide opiniões, mas vale a pena caso você goste de filme que fujam do comum e não se incomode com o politicamente incorreto.

Destaque:
  • Os destaques são as atuações do Joseph Gordon-Levitt e do Devin Brochu, que se jogam totalmente nos papeis e entregam ótimas performances.
Diretor: Spencer Susser
Ano: 2010
País: Estados Unidos
Minha nota: 8/10


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Scanners - Sua mente pode destruir

  

 O primeiro grande filme de Cronenberg e também considerado pelo mesmo o filme mais frustrante de sua carreira, o que é justificado pelos problemas de produção enfrentados durante toda a gravação, que são notáveis durante o filme mas não o atrapalharam em criar uma das cenas mais memoráveis dos anos 80.
 Scanners são pessoas com poderes psíquicos que podem incluir telecinese, leitura de memórias, controle mental e alguns possuem até o poder da implodir cabeças. A corporação ConSec tenta recrutar scanners para seus próprios interesses, mas não obtinha êxito nesses recrutamentos até encontrarem Cameron, que possui poderes surpreendentes e aceita auxiliar a ConSec para impedir que um grupo de scanners consigam alcançar seus malignos objetivos.
 Mesmo com sua falta de ritmo em algumas sequências, várias atuações meia boca e algumas situações duvidosas, Scanners se tornou um clássico cult que traz o ar nostálgico dos filmes oitentistas junto com o que todo bom filme do Cronenberg tem: ficção, estranhezas da mente humana e claro, cenas nojentas.

Destaque:
  •  O que fez toda a diferença nesse filme com certeza foi a sua maquiagem, trabalho realizado pelo pioneiro Dick Smith. 
Diretor: David Cronenberg
Ano: 1981
País: Canadá
Minha nota: 7/10