sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Nell


 Após a morte de uma eremita que vivia isolada em uma floresta, o médico Lovell (Liam Neeson) descobre que a esclusa senhora tem uma filha já adulta, chamada Nell (Jodie Foster), que aparentemente nunca saiu do terreno da propriedade em que vive, nunca teve contato com outras pessoas e fala um idioma incompreensível. Como a Nell se opõe as tentativas iniciais de contato, Lovell e a psicóloga
 Paula resolvem passar alguns meses a observando com a finalidade de compreenderem como seria o humano sem a influência de outras pessoas e da vida moderna.
 Apesar de alguns clichês Hollywoodianos, o filme levanta um ótimo questionamento sobre a vida em sociedade. O respeito à vontade do individuo ou a preservação de sua segurança? O quanto a sociedade pode interferir? 
 Nell não é um filme excepcional, mas ele tem uma história bem construída, traz uma excelente atuação da Jodie Foster (como sempre), e ele também aborda um dos assuntos que eu sempre adoro ver no cinema, a comunicação.

Direção: Michael Apted
Ano: 1994
País: Estados Unidos
Minha nota: 7,5/10


domingo, 6 de setembro de 2020

Mangue negro

 

 Rodrigo Aragão é um dos grandes nomes do terror brasileiro, um grande mestre dos efeitos visuais e que mesmo com baixíssimos orçamentos consegue fazer ótimos filmes de gênero. Eu resolvi postar Mangue negro agora para ajudar a divulgar o novo filme do diretor, O cemitério das almas perdidas, que será apresentado na abertura do Cine fantasy (dia 06/09), que esse ano será transmitido pelo Cine Belas Artes drive-in. Mas se você não mora próximo à capital paulista, ou se não possui veículo, o Belas artes também irá transmitir o festival pelo Belas artes à la carte, que é o serviço de Streaming do cinema. Ele ficará disponível somente na noite do dia 07/09, e a mensalidade é de apenas R$9,90, menos que uma meia entrada no cinema e você ainda dá uma força ao terror nacional.
 Numa remota aldeia perdida em meio à manguezais vive uma pequena comunidade de pescadores, o que eles desconhecem é que com a morte do mangue, devido ao excesso de caça e por ter virado um depósito de lixo, toda a vida nele também irá morrer gradualmente, e quem se alimentar dos animais restantes do local será contaminado por uma espécie de vírus, que os transforma em mortos-vivos.
 Mangue negro é repleto de sangue e tripas (principalmente nas ultimas cenas), também tem algumas tiradas cômicas que funcionam bem, mas se você não é acostumado a esse tipo de filme é preferível você não assisti-lo comendo. Para mim, o único defeito do longa é o excesso de protagonismo da Dona Benedita, o que quebra um pouco o ritmo do filme mas não o prejudica por inteiro.
 Os cenários são maravilhosamente bem escolhidos, o mangue e suas cabanas de madeira dão todo um ar interiorano ao filme, e tem também a trilha sonora que vai de metal a Orquestra sinfônica do Espirito Santo.
  
Destaque:
  • Os efeitos especiais e a maquiagem (feitos pelo próprio Aragão) são ótimos, não perdem em nada para os terrores gringos. 
Direção: Rodrigo Aragão
Ano: 2008
País: Brasil
Nota: 7/10

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Tucker e Dale contra o mal - Tucker & Dale vs Evil

 

 Eu percebi que a minhas últimas postagens foram muito sombrias e resolvi postar uma comédia de terror, ou como dizemos popularmente, um thrash. Se você não conhece o termo, tente lembrar de Elvira - A rainha das trevas, que passava constantemente na sessão da tarde nos anos 90. Mas se você não cresceu nos anos 90, imagine As branquelas dentro dos Jogos mortais... o resultado seria um filme thrash.  
 Tucker e Dale são dois estereotipados caipiras, que acabaram de comprar uma cabana na floresta para passarem suas férias. Os seus planos de beber e pescar durante todo o verão são interrompidos quando um grupo de universitários (também extremamente estereotipados), que estão acampando em um local próximo dali, os confundem com assassinos em série e resolvem enfrenta-los, causando o mais improvável e hilário resultado possível.
 Assista sem pretensões, apenas para dar risada ou para melhorar seu animo e sua visão da existência humana depois de assistir alguns dos desgraçamentos mentais (como diria a Redatora de merda) aqui do blog.

Direção: Eli Craig
Ano: 2010
País: Canadá
Minha nota: 7.5/10

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Luz depois das trevas - Post tenebras lux


   Nesse amontoado de lembranças, sonhos e fantasias que é Luz depois as trevas, vemos a história da família mexicana de classe média alta, formada por Juan, Natália e seus filhos Eleazar e Rut. Ao que parece, a família se mudou a pouco tempo para uma área rural e eles ainda estão se adaptando a esse novo ambiente e aos seus habitantes.
 Linearidade e lógica são coisas inexistentes neste filme, então se for assisti-lo eu tenho certeza que sua experiência será melhor se você apenas observar essas belíssimas cenas extremamente bem dirigidas (que parecem o teste de alguém que acabou de comprar uma câmera nova e esta alterando de foco centralizado para desfocado), do que se você ficar procurando por explicações. Eu entendi cem por cento do filme? Não, mas neste filme isso definitivamente não tem relevância. Depois das primeiras cenas, que para mim foram as mais confusas, nós nos acostumamos com o ambiente que hora é pesadelo, hora é sonho destorcido, e começamos a ser absorvidos por essa atmosfera surreal que foi detalhadamente construída e sustentada em cada cena.
 Ganhador do prêmio de melhor diretor no festival de Cannes.
 Este filme foi pedido por um frequentador do blog. Caso tenha um filme que você não encontre em lugar nenhum e que tenha uma história que fuja do comum, pode deixar sua sugestão nos comentários.

Destaque:                              
  • Destaque para a cena em que a Natália toca e canta It's a dream, do Neil Young. Eu sempre acho que certos filmes tem tudo a ver com alguma música, mas Luz após as trevas parece até inspirado em It's a dream.

Direção: Carlos Reygadas
Ano: 2012
País: México
Minha nota: 8/10


domingo, 2 de agosto de 2020

Além do arco iris negro - Beyond the black rainbow


  No futuro, em um laboratório que realiza bizarras pesquisas experimentais vive a jovem cobaia Elena, que farta de sua monótona rotina arrisca-se em um ousado plano de fuga, que colocará não só a sua vida em risco.
 Além do arco-íris negro é um filme difícil em vários aspectos, difícil de compreender, difícil de não se incomodar e também é bem difícil de manter-se concentrado durante todo o filme. Eu não digo isso como uma crítica, o que ocorre em Além do arco íris negro é que a intensidade dos sons são tão fortes que chegam a causar agonia (em uma cena eu cheguei muito perto da horrorosa sensação de enxaqueca), o que me desconcentrou do filme em alguns momentos. Tentem imaginar o Freddy Krueger arranhando uma lousa... é essa a sensação.  Ele é instigante em muitos aspectos, principalmente tecnicamente, onde vemos que diversas técnicas se juntam para criar um ambiente extrassensorial, o que combinou muito com a temática do filme.  
 O que eu ouvi sobre esse filme é que ele é vazio, que poderia ter um roteiro mais bem trabalhado, mas eu penso exatamente o contrário. Obviamente o diretor, Panos Cosmatos, queria criar uma obra extrassensorial e não contar uma história detalhadamente bem elaborada. O Cosmatos parece ser um diretor que chegou investindo em obras com violência psicodélica, uma categoria que eu acredito que não tenha nome, então achei que esse é o nome que melhor a descreve, o que é interessante pela falta de filmes com a mesma temática, alias, vale muito a pena conferir seu segundo filme, o irreverente Mandy.
  Obs: A grande maioria das pessoas não gostaram desse filme, pelo que eu percebi, pela grande quantidade de cenas paradas e porque, de acordo com elas, a história é fraca. Na verdade existe uma história bem interessante, mas ela fica beeeeem escondidas nas entrelinhas e são dadas poucas dicas durante o filme onde podemos percebe-la. De qualquer modo fica o aviso: Se você não gosta de filmes parados, não assista a esse.
 Esse filme foi a sugestão de um frequentador do blog, então se você tem uma sugestão de um filme com uma temática diferente do habitual e que você não acha em lugar nenhum, pode deixar aqui nos cometários.

Direção: Panos Cosmatos
Ano: 2011
País: Canadá 
Minha nota: 7.5/10

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Fome de viver - The hunger


 Imortais que precisam de sangue para sobreviver. Em Fome de viver o termo vampiro e todos estereótipos a eles relacionados são esquecidos, o que o filme apresenta são inusitados seres elegantes e estilosos da alta sociedade de Nova York dos anos 80.
 Miriam (Catherine Deneuve) e seu amante John (David Bowie), se não fosse pelo fato de caçarem humanos em casas noturnas e prostíbulos para se alimentarem de seu sangue, poderiam parecer um apaixonado e sexy casal burgues, que vive tranquilamente em sua refinada mansão. A tranquilidade do casal é afetada quando John, repentinamente, começa a envelhecer de forma extremamente rápida. Os dois, separadamente e sem o conhecimento do outro, procuram a cientista especialista em envelhecimento acelerado Sarah (Susan Sarandon), que afirma que o envelhecimento é uma doença, o que Sarah desconhece é que a cura está a seu alcance de uma forma que ela jamais imaginou.
 Toda a originalidade desse cultuado filme é um conjunto de vários componentes que foram utilizados na medida certa, criando um visual surpreendentemente único. Uma fotografia cheia de sombras e meia luz, cortes rápidos nas cenas de violência gráfica, a semelhança da montagem de videoclipe e toda a poesia visual gótica fez esse filme ser o preferido de 9 a cada 10 fãs de Bauhaus.
 Infelizmente a maioria das pessoas só lembram de Fome de viver pela cena de sexo da Catherine Deneuve com a Susan Sarandon, mas o filme vai muito além disso. Antes de dirigir clichês de Hollywood, Tony Scott fez essa obra singular, que esbanja originalidade em meio a um trio de atores que por si só já valeria a minha atenção.

Direção: Tony Scott
Ano: 1983
País: Inglaterra
Minha nota: 8.5/10


segunda-feira, 6 de julho de 2020

A menina que morava do outro lado da rua - The girl who lives down the lane


 A adolescente Rynn (Jodie Foster) e seu pai se mudaram da Inglaterra para uma pequena cidade canadense há poucos meses mas já despertam o interesse dos habitantes locais por suas excessivas discrições. Rynn estuda em casa e raramente é vista na cidade, já seu pai, que é poeta, passa os dias em seu escritório e nunca é visto por ninguém. Os residentes ainda desconhecem o fato de que Rynn esconde um terrível segredo, no entanto quanto mais dias passam, maior e mais difícil fica esconde-lo de todos.
 A menina que morava do outro lado da rua expõe temas como pedofilia, emancipação e sexo diante de uma personagem de 13 anos, o que certamente o tornaria dificílimo de ser produzido em dias atuais (mas quem lembra da Jodie Foster em Taxi driver sabe que os anos 70 eram cinegraficamente muito pesados), porém são esses fatos que o tornam interessante, pois diante deles conseguimos ver que a vida de Rynn não seguiu o caminho que ela e seu pai planejaram, e como Rynn contornará essas adversidades são o tema central do filme.  
 Eu sempre digo que alguns filmes poderiam ter menos tempo de duração mas esse é um dos poucos casos que ocorre o contrário, o filme poderia ter pelo menos 15 minutos a mais, ele apresenta um bom desenvolvimento de todos os personagens mas eu fiquei com a impressão de que eles poderiam nos apresentar um pouco mais de sua personalidade.

Destaque:

  • As atuações da Jodie Foster, com 13 anos na época, e do Martin Sheen são excelentes.

Direção: Nicolas Gessner
País: Canadá
Ano: 1976
Minha nota: 8.5/10