quinta-feira, 27 de maio de 2021

Nó na garganta - The butcher boy

 

 Francie é um menino irlandês cujo o pai é um inveterado alcoólatra e a mãe é depressiva e vive entrando e saindo de clínicas psiquiátricas. O filme começa mostrando o início da inimizade entre ele e a senhora Nugent, fato que somado a um trágico evento fez despertar em Francie uma revolta em forma de vingança, que causará graves consequências a todos.
 A narrativa feita em primeira pessoa e com muito humor ácido deixa menos chocante a história familiar extremamente conturbada de Francie, pois vendo através de sua perspectiva podemos enxergar melhor toda a dor externalizada em forma de violência, mas que Francie enxerga apenas como uma brincadeira. 
 Os únicos comentários que eu já ouvi sobre esse filme foram de pessoas falando que não sentiram empatia com o personagens principal, mas para mim a falta de empatia nunca foi um empecilho para gostar de filme algum. Aliás, tem filmes que eu adoro e os personagens são uns babacas. Mas se você só gosta de filmes que você se identifique com o personagem, esteja avisado que muito provavelmente isso não ocorrerá aqui, pois será muito difícil (ainda bem) alguém se identificar com esse infância fodida que o garoto teve.
 Obs: Eu também já ouvi comentário de pessoas achando que o filme seria super pesado e se decepcionando. Provavelmente houve um engano em relação ao titulo original, já que o título do filme The butcher (esse realmente é pra quem tem estomago forte) é bem parecido com The butcher boy.
 Este filme foi sugerido por alguns frequentadores do blog, e caso você tenha uma sugestão de um filme que você não acha em lugar nenhum e que tenha uma história que fuja do comum, pode deixar nos comentários. 

Destaque:
  • A atuação do Eamonn Owens é o grande ponto de sustentação do filme. Todo o elenco é muito bom mas o Owens realmente é o grande destaque.
Direção: Neil Jordan
País: Irlanda
Ano: 1997
Minha nota: 8.5/10

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Nada de mau pode acontecer - Tore Tanzt

 
 Atenção: Este filme não é indicado para pessoas que se sensibilizam com facilidade. 
 Tore é um jovem epilético e ingênuo, que participa do movimento Jesus freak (que pelo que eu entendi é um movimento punk rock cristão), e que acredita que todos nós temos uma missão divina que nos será revelada no momento certo. Após auxiliar uma família com problemas no carro, Tore começa uma amizade com o patriarca Benno, que o convida para morar com eles em troca de o auxiliar com reparos e afazeres domésticos. Benno rapidamente se mostra uma pessoa sádica e violenta, o que faz Tore perceber que sua missão está relacionada àquela família e que ele deve alcança-la a qualquer custo, mesmo que para isso ele tenha que passar por torturas físicas e psicológicas.
 O filme é dividido em três partes: Fé, amor e esperança. Quem conhece o mito da caixa de Pandora sabe que depois de saírem todos os males daquela caixa, lá dentro só restou a esperança, o último e o mais terrível deles, e o último capítulo aqui se torna uma analogia perfeita ao mito.
 Tore Tanzt é constantemente ligado ao fanatismo religioso por conta de toda passividade demostrada por Tore diante das torturas sofridas, mas diante de toda crueldade demonstrada no filme, o que incomoda é a fé de um garoto que acredita que deve colocar sua vida em risco para ajudar outras pessoas?
 Entrou para o meu top 10 de filmes para destruir o psicológico, porque a expressão soco no estômago é até fraca para descrever o sentimento ao assisti-lo, principalmente depois que o filme acabou e apareceu a informação de que ele é baseado em uma história verdadeira. 

Direção: Katrin Gebbe
País: Alemanha
Ano: 2013
Minha nota: 9/10

domingo, 16 de maio de 2021

7 caixas - 7 cajas


 
Victor é um carregador de compras que sonha constantemente em aparecer na televisão. Na feira em que ele trabalha lhe é ofertado um celular com filmadora (que era uma grande novidade para época), o que o deixa fascinado, mas o seu valor é muito acima do que ele pode pagar. Victor então aceita a proposta de carregar 7 caixas pelo mercado em troca de 100 dólares, mas o que parecia ser um simples serviço se transforma em um verdadeiro inferno quando Victor, que desconhece o conteúdo das caixas, começa a ser perseguido por várias pessoas que as desejam. 
 Brincando com todos os clichês dos filmes de ação, 7 caixas exibe a grande criatividade de seus diretores e roteiristas quando consegue adaptar uma implacável perseguição em uma imensa feira do Paraguai. A ação, a comédia e o suspense se entrelaçam em um ritmo perfeito, nos deixando cada vez mais curiosos e empolgados com o filme, mas o romance realmente dá uma quebrada no clima, nada irreparável mas na minha opinião desnecessário.
 As tramas paralelas auxiliam, muito humoradamente aliás, no desenvolvimento da história, hora criando suspense, hora revelando grandes cagadas e mal entendidos que causaram toda essa confusão com as caixas. A originalidade de toda a história é realmente surpreendente. Filme super indicado para assistir caso o seu dia esteja entediante.

Destaque:
  • Destaque aos diretores Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori que conseguiram equilibrar esse monte de personagens e gravar cenas de ação no meio de uma imensa feira lotada.
Direção: Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori
País: Paraguai
Ano: 2012
Minha nota: 9/10


domingo, 25 de abril de 2021

Os garotos selvagens - Les garçons sauvages

 

 Se você é um frequentador do blog, provavelmente você já reparou que meu gosto para filmes é um tanto "diferente", mas este, provavelmente, é o filme mais estranho que eu assisti na minha vida. 
 Os garotos selvagens narra a história de cinco ricos, cultos e sádicos adolescentes, que após cometerem um grave crime, são enviados pelas suas famílias para um tratamento disciplinar com o capitão de um veleiro, que segundo ele consegue recuperar qualquer garoto rebelde, desde que o garoto consiga sobreviver ao processo.
 Com muito surrealismo e erotismo, o filme imerge profundamente no bizarro, filosofa sobre questionamentos sociais, como livre arbítrio, a delimitação das punições juvenis, identidade de gênero e violência. Tudo isso apresentado através de uma linda e peculiar fotografia, que faz todas as belíssimas cenas contrastarem com os maldosos e repulsivos garotos.
 Essa é uma breve sinopse que não expressa toda a excentricidade do filme afim de evitar spoilers, mas acredite, o surrealismo aqui é impressionante.

Direção: Bertrand Mandico
País: França
Ano: 2017
Minha nota: 9/10
 

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Videodrome - A síndrome do vídeo

 

 Quando o Big Brother deixa de ser o grande, totalitário e fictício personagem do livro 1984, e vira o programa mais assistido e comentado do país, vemos que já vivemos parte dos fatos descritos em livros e filmes com futuros distópicos, onde todos são vigiados e manipulados por matérias e propagandas personalizadas. 
 Max é o dono de um pequeno canal pornográfico, que por acidente capta o sinal do Videodrome, que são videos de pessoas sendo torturadas e mortas. Estes vídeos causam um fascínio em Max, que fica obcecado em descobrir quem os produz, mesmo depois de perceber que eles geram alucinações que distorcem a realidade.
 David Cronenberg novamente demonstra a obsessiva busca ao prazer a qualquer custo, através do uso das afrontas e das mesclas do artificial ao humano, mas desta vez a previsão não poderia estar mais certa: um consumo desenfreado de tecnologia que acaba por nos consumir.
 Se você nunca assistiu um filme do Cronenberg, esteja avisado de que eles sempre abordam temas bizarros, com cenas nojentas e surreais. Então se você se incomoda em ver tripas, pus, gosmas, órgãos sendo explodidos e sangue espirrando para todos os lados, é preferível que você não assista à este filme.

Direção: David Cronenberg
País: Canadá
Ano: 1983
Minha nota: 8.5

sábado, 27 de março de 2021

Repulsa ao sexo - Repulsion




 Carol (Catherine Deneuve) é uma jovem introvertida e instável, que mora com a irmã mais velha e trabalha em um salão de beleza. Quando sua irmã resolve viajar e a deixa sozinha,  Carol começa a sofrer de uma profunda depressão psicótica, que a faz ter intensas alucinações e a mantem enclausurada em seu apartamento.
 O motivo da forte repulsa que Carol sente pelos homens não é explicado, mas está bem visível nas entrelinhas do filme. A ausência de som e os enquadramentos nos reforçam a sensação de aprisionamento, seja de dentro do apartamento ou da mente de Carol.
 Eu costumo avisar quando o filme é parado, pois sei que isso desagrada muitas pessoas, e Repulsa ao sexo tem fama de ser monótono. Eu realmente não entendo essa fama, pois para mim esse é aquele tipo de filme que me prende desde o começo, mas de qualquer forma estejam avisados.
 Este é o primeiro filme da famosíssima trilogia do apartamento, que é minha trilogia preferida do cinema, juntamente com a trilogia da depressão. Ele antecede os filmes O bebê de Rosemary (1968) e O inquilino (1976). 

Destaques:
  • É impossível não notar o excelente trabalho de direção do, na época, jovem Polanski.
  • Este é um dos melhores trabalhos da Catherine Deneuve.
Direção: Roman Polanski
País: Inglaterra
Ano: 1965
Minha nota: 8.5/10



sexta-feira, 12 de março de 2021

Naufrago na lua - Kimssi Pyoroogi - Castaway on the moon



 Kim é um homem endividado que resolve se suicidar. Ele pula de uma ponte no meio de Seul e é arrastado pelas águas para uma pequena ilha desabitada onde acorda, e percebendo o ocorrido decide voltar ao continente para tentar se matar novamente. Ele tenta chamar a atenção de pessoas em barcos que passam próximo dali e com pedidos de socorro na areia, mas nada parece funcionar. Até que uma garota solitária, que vive trancada em seu quarto por anos e que tem como hobby fotografar a lua, vê o pedido de socorro deixado na areia e começa a observar, através do zoom de sua câmera, a rotina daquele misterioso homem.
 Eu confesso que achei os primeiros 15 minutos de filme bem sem graça, mas a evolução de roteiro e de ritmo foram muito surpreendentes. A inserção de outra personagem central trouxe dinamicidade ao filme, ascendendo uma pequena partícula de esperança de que os personagens possam alterar os seus prováveis destinos caso consigam se comunicar.
 Obs: Eu queria ter assistido esse filme antes da quarentena para saber se eu continuaria me identificando com os nada sociais personagens.
 Este filme foi sugerido pelo Adriano, que é um frequentador do blog. Caso você tenha uma sugestão de um filme que você não encontre em lugar nenhum e que, assim como esse, tenha uma história que fuja do comum, pode deixar nos comentários.

Direção: Hae Joon Lee
Ano: 2009
País: Coreia do Sul
Minha nota: 8.5/10


domingo, 7 de março de 2021

Thx 1138


 Em um futuro distópico as pessoas não tem mais identidade. Usam as mesmas roupas, raspam a cabeça, não tem nomes e não tem mais personalidade, já que são obrigadas a tomar medicamentos que inibem suas emoções, as deixando em um constante estado letárgico. Quando THX para de tomar seus remédios por influência de LUH, sua colega de quarto, os dois começam um romance e são descobertos e punidos pelo sistema totalitário em que vivem.
 Esse é o primeiro filme do diretor George Lucas, e apesar de ser uma ficção cientifica, não espere por naves espaciais e galáxias muito, muito distantes. Thx 1138 tem um ritmo bem lento, não tem efeitos visuais e seus cenários são salas totalmente brancas, que passam a sensação de frio e monotonia.
 A inspiração nos livros 1984 e Admirável mundo novo são evidentes, mas o filme segue uma linha bem diferente, pois enquanto os livros chocam, nos apresentando o que nossa sociedade pode se tornar e as manipulações que já vivemos, o filme consegue transmitir um total entorpecimento, como se já estivéssemos acostumados à rotina dessa unissonante sociedade.  
 
Direção: George Lucas
Ano: 1971
País: Estados Unidos
Minha nota: 7.5
 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Saint Maud


 
Eu não costumo postar filmes que foram lançados recentemente, mas como Saint Maud continua sem data de estreia prevista no Brasil, eu resolvi compartilha-lo com vocês, pois todo mundo deveria ter acesso a essa obra de arte.
 Maud é uma enfermeira muito religiosa, que em seu novo trabalho tem a função de cuidar de Amanda, uma ex-bailarina que sofre com um cancer em estágio avançado. Maud vê seu novo emprego como uma espécie de missão dada por Deus, onde o objetivo que lhe foi designado é a salvação da alma de Amanda.
 Com o passar do filme nós vemos que Maud nem sempre foi dessa forma, algo que ocorreu em seu passado a mudou drasticamente, alterando não só a sua fé como também seu modo de se comportar e de ver o mundo. Alias, o seu modo de enxergar o mundo é o que dá um grande peso ao filme, pois a sua construção sensorial nos coloca no corpo de Maud. Nós vemos tudo através de sua visão distorcida e por isso duvidamos do seu ponto de vista, de seus objetivos e principalmente de sua sanidade.
 Eu esperava há muito tempo para assistir esse filme e minhas expectativas foram superadas positivamente. Saint Maud tem uma estrutura narrativa muito original, a cenografia e a fotografia auxiliam imensamente na percepção da tensão sobrenatural, e eu poderia escrever parágrafos e mais parágrafos de elogios e reflexões sobre o filme mas eu encerarei por aqui já que quando se trata de filme sensorial e que traz elementos ambíguos, o melhor é saber o menos possível antes de assisti-lo.
 Saint Maud é um terror psicológico que com certeza não agradará a maioria, mas como eu sempre digo, saia da sua zona de conforto e tente algo novo. Você pode até não gostar do filme, mas eu garanto que esse final não sairá da sua cabeça tão cedo.

Direção: Rose Glass
Ano: 2020
País: Inglaterra
Minha nota: 9,5/10

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Deus abençoe a América - God bless America



 ALERTA: Este filme é violento, sadista, irônico e muito engraçado. Se você não possui aversão a certos aspectos de nossa atual sociedade, você provavelmente irá odiá-lo. Assista-o por sua conta e risco. 
 Frank tem uma visão sociológica e ética mais apurada que a maioria das outras pessoas, o que naturalmente o transforma em um misantropo, e SPOILER SPOILER SPOILER após descobrir que tem pouco tempo de vida e de toda sua paciência e tolerância terem sido extinguidas pela sociedade, Frank conhece uma adolescente com sérios sinais de psicopatia, que o incentiva e o ajuda a sair por aí matando pessoas extremamente mal educadas e sem nenhuma noção de civilidade; pessoas que falam alto no cinema; pessoas de religiões que não aceitem gays; extremistas conservadores; que chamam outras pessoas de feminazis e de comunistas; pedófilos; que espalham medo à população; hippies; pessoas que falam namastê e claro... pessoas que usam expressões como "na sua cara".  FIM DO SPOILER FIM DO SPOILER FIM DO SPOILER.
Se você não consegue parar de reparar em toda futilidade, no consumismo e em todo o conformismo e adaptação dos seres humanos a essa sociedade fodida, esse provavelmente se tornará um de seus filmes favoritos (assim como é pra mim). Apesar de ter alguns pequenos furos, Deus abençoe a América foi muito bem executado, tem boas atuações e uma bela trilha sonora. 
 Obs: Indicado apenas para quem não odeia South Park.

Direção: Bobcat Goldthwait
Ano: 2011
País: Estados Unidos
Minha nota: 9/10