sexta-feira, 12 de julho de 2019

A parede - Die wand


 


 Uma mulher que vive há anos em uma casa na montanha, isolada da sociedade, começa a escrever suas memórias desde que chegou àquela casa, e percebemos que a mulher que parecia ser uma misantrópica depressiva, na verdade é uma prisioneira de algo surreal. 
 Tudo começou quando a mulher e um casal de amigos foram passar alguns dias na casa e logo após chegarem o casal resolve ir até o vilarejo mais próximo. Quando a mulher acorda no dia seguinte e percebe que o casal ainda não voltou ela resolve ir até o vilarejo, enquanto caminhava a mulher bate em algo no meio da estrada e quando ela estende as mãos percebe que existe uma espécie de barreira invisível, como uma vidraça, interrompendo o caminho. Nos dias seguintes suas tentativas de atravessar a parede invisível são substituídas pelos seus planos de sobrevivência, ela percebe que não haverá nenhum resgate pois, inexplicavelmente, o mundo do outro lado da parede já não existe mais.
 A parede é um filme diferente de tudo o que você já viu, ele nos traz muitas reflexões sobre o existencialismo e remonta a visão homem-natureza que possuíamos. É como se esse lugar a qual a mulher ficou presa se equiparasse a um lugar dentro de nós, um lugar que foi esquecido por conta da nossa convivência em sociedade e que´pode ser muito bem descrito pela frase no cartaz do filme: "Dentro de cada um de nós encontra-se uma verdade que só o deserto pode revelar".

Diretor: Julian Roman Pösler
País: Áustria
Ano: 2012
Minha nota: 8/10

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Coerência - Coherence




 Coherence é uma espécie de filme-quebra-cabeça, e como é incrivelmente difícil falar sobre ele sem entregar nenhum dos enigmas do filme, eu tentarei ser bem objetiva. Na noite em que um cometa passará a uma pequena distância da terra, um grupo de oito amigos se reúne na casa de um deles para um jantar. De acordo com boatos que todos eles ouviram, acontecem coisas no mínimo "estranhas" quando um cometa está próximo, e por conta disso o aconselhável é não sair de casa durante a noite. Ocorre uma queda de energia e todos os amigos percebem que também não possuem sinal no celular, eles notam que uma casa que fica no final da mesma rua ainda possui energia elétrica, e como o irmão de um deles é especialista em astronomia, alguns dos amigos resolvem ir até a casa para poder entrar em contato com esse irmão... e é aí que tudo se fode.
 A história central se baseia no fato de que o cometa abriu um portal interdimensional que te dá acesso a outras diversas realidades alternativas, e como Coherence ainda conta com alguns paradoxos quânticos como o gato de Schödinger e buracos de minhoca, você precisa ter um certo conhecimento de teorias da física ou em filmes de nerds para conseguir compreende-lo, e quando eu digo nerd eu quero dizer filmes tipo Primer (filme que eu postarei em um futuro próximo aqui no Nostromo) e não filmes de super heróis.
 Obs: Se você não entendeu Donnie Darko ou A origem, meu conselho é que você não perca seu tempo assistindo a esse filme, pois ele está num grau de complexidade que eu só vi em pouquíssimos filmes, que aliás não fizeram sucesso porque ninguém os compreendeu.

Destaque:
  • É claro que o roteiro, que conseguiu sustentar todas as teorias e reviravoltas, é o grande destaque do filme, mas o trabalho de edição teve uma grande importância na facilitação da compreensão de Coherence. É feita uma fragmentação dos fatos que diferenciam uma realidade da outra, e a edição conseguiu encaixa-los em momentos perfeitos para que nós entendêssemos alguns pontos, mas ainda continuássemos suspeitando da nossa compreensão. 


Direção: James Ward Byrkit
Ano: 2013
País: Estados Unidos
Minha nota: 9.5/10


quarta-feira, 19 de junho de 2019

2 coelhos




 Edgar, que passou a vida toda como o desajustado da sociedade, percebe que também não se encaixa no mundo corporativo, e através de conhecimentos tecnológicos adquiridos durante sua vida de nerd, ele bola um plano para matar dois coelhos com uma cajadada só. Um acidente causado por um ato irresponsável de Edgar no passado lhe deu a ideia de um plano para acabar com um esquema de corrupção e também com uma quadrilha, e de sobra ainda lucrar uma grana com isso.
 Não se engane pelos atores globais, 2 coelhos passa bem longe dos habituais filmes nacionais, aliás todo o elenco é muito bem utilizado e muito bem dirigido pelo na época estreante Afonso Poyart, que foi muito criticado pela "americanização" de 2 coelhos, já que várias cenas são montadas no esquema de videoclipe, tem cenas com animações, desenhos e videogames e também tiroteios e explosões. Críticas essas que para mim são ridículas, como se só filmes americanos pudessem ter cenas de ação e nerdices, como se na nossa realidade também não existissem nerds e violência urbana.
 A história não-linear é o ponto alto do filme, pois vemos gradativamente toda a criação do plano de Edgar enquanto também acompanhamos sua execução, então, pra quem costuma reclamar que filme nacional é tudo igual, 2 coelhos é uma ótima amostra da inovação que vem crescendo nos filmes brasileiros na última década. 

 Destaque:

  • Destaque para a trilha sonora inusitada, e para mim essa música do Radiohead deveria ser obrigatória no final de todos os filmes.

 Direção: Afonso Poyart
Ano: 2012
País: Brasil
Minha nota: 8/10


terça-feira, 30 de abril de 2019

Adaptação - Adaptation




  Normalmente nós escolhemos assistir a um certo filme por que é de um diretor ou tem um ator que gostamos, o que ocorre com o Charlie Kaufman é algo, no mínimo, inusitado. Um roteirista, que é apenas um roteirista (e não como Woddy Alen e o Tarantino que são roteiristas mas também dirigem os filmes), que além de ser considerado umas das pessoas mais influentes de Hollywood também possui milhares de admiradores.
  Em Adaptação, Kaufman, utilizando a si próprio metalinguisticamente, é um famoso roteirista de Hollywood que está com um bloqueio criativo para conseguir adaptar um livro, que fala sobre adaptação de orquídeas, para o roteiro de um filme. Kaufman, acostumado a escrever roteiros mirabolantes, não consegue adaptar um livro que fala sobre adaptação, e recorre a métodos alternativos, e anteriormente condenáveis por ele mesmo, para conseguir retomar seu senso criativo.
  Se você já assistiu algum filme escrito pelo Kaufman você compreenderá mais facilmente que ele utiliza metáforas e a metalinguagem para questionar a consciência humana. Neste filme é apresentado o fato de que para evoluir é necessário se adaptar, independentemente se você é um tímido roteirista de sucesso, que precisa passar por um difícil processo de adaptação, através de experiências comportamentais, para sobreviver as cotidianas rotinas da vida humana, ou se você é uma rara orquídea, que passa por um simples processo de adaptação para sobreviver a qualquer ambiente diante da dinâmica vida selvagem. 
  Obs: O filme não segue uma linha temporal linear, foi dirigido pelo Spike Jonze e escrito pelo Charlie Kaufman, acho que não é necessário mas mesmo assim eu vou enfatizar que ele é complexo pra caralho. 

 Destaque:
  • Achei que seria muito redundante destacar o roteiro já que praticamente a resenha toda eu falei sobre ele, então darei destaque a direção. Jonze faz uma direção concisa e discreta, deixando o roteiro ser o maior destaque do filme, suas construções de cena, com uma fotografia escura e cenários desinteressantes refletem claramente a personalidade do personagem central. 
 Direção: Spike Jonze
 Ano: 2002
 País: Estados Unidos
 Minha nota: 8.5/10



domingo, 7 de abril de 2019

Sob a pele - Under the skin



  Existem complexas sensações que conseguem ser comprimidas em um curto espaço de uma única palavra, como as palavras angústia e epifania, no caso deste filme vemos, compactados em uma hora e quarenta e oito minutos, toda a totalidade do vazio existencial que se esconde sob a pele dos seres, que podem ser humanos ou não.
  Laura (Scarlett Johansson) é uma alienígena que caça homens. Ela vagueia pelas ruas da Escócia procurando presas fáceis, como homens solitários, e os leva para sua "casa", que consiste em um extenso cômodo onde só existe uma imensidão preta, e lá ela os prende durante algum tempo em uma espécie de piscina negra, e depois eles são sugados, sobrando apenas suas peles.
  Não espere encontrar explicações ou respostas neste filme, ele não é como sci-fis americanos que explicam mastigadamente, biologicamente e fisicamente os alienígenas e o motivo pelo qual vieram, Sob a pele é uma experiência extrassensorial, cheia de questionamentos existenciais e com um estranho charme bizarro, que é claramente refletido pela Scarlett Johansson. 
  Obs1: Eu sempre informo quando o filme é monótono pois sei que a maioria das pessoas não gostam de filmes com poucas falas e muitos planos sequências, faço isso pois adoraria que em todo site tivessem avisos sobre os filmes que me fariam desistir de assisti-los, como: comédia romântica disfarçada de drama, terror com adolescentes idiotas, muitas cenas de tiros e lutas. Se eu entendesse mais de formatação colocaria letras e setas piscando para deixar bem claro que esse filme é muito parado e que provavelmente não é uma boa ideia você assistir só porque a Scarlett Johansson aparece nua. Então se você não gosta de filmes monótonos não assista a esse.
  Obs2: Sempre achei que Sob a pele parece a continuação de Ex-machina, outro filme obrigatório para nerds fãs de sci-fi.

Destaques:

  • A belíssima e esquisitíssima direção de arte, que lembram as ficções científicas inglesas, dos anos 70.
  • A Scarlett Johansson foi a escolha perfeita para o papel, nunca pensei que acharia uma alienígena que devora homens estonteantemente sexy.


Direção: Jonathan Glazer
Ano: 2014
País: Escócia
Minha nota: 9/10


sábado, 16 de março de 2019

O ladrão de sonhos - La cité des enfants perdus



    O filme se passa em um nebulosa e surreal Paris, onde o pequeno irmão de One (Ron Pealrman) é sequestrado por uma excêntrica seita que tem como objetivo sequestrar crianças para entrega-las a um cientista, que através de curiosos métodos entra em seus sonhos e tenta capturar-lhes a essência do sonhar para poder introduzi-la nele mesmo, já que ele tem a incapacidade de sonhar. Plano esse que nunca dá certo, já que com sua feição ele só consegue causar pesadelo nas pobres crianças.
  Lembro de ter assistido ao filme quando criança e na minha lembrança o filme parecia ser todo composto por sonhos, ao reassisti-lo eu percebi que propositalmente o filme todo parece um sonho. Os cenários e a fotografia criam uma atmosfera fantasiosa e a variação das cores, principalmente do verde ao vermelho conseguem representar a lenta transformação de um lindo sonho colorido em um terrível pesadelo sombrio. 

  Destaque: 
  •  O diretor Jean-Pierre Jeunet sempre apresenta filmes com ótimas e esquisitíssimas direções de arte e em O ladrão de sonhos esse é o ponto alto.

Direção: Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro
País: França
Ano: 1995
Minha nota: 8/10

domingo, 16 de dezembro de 2018

A vida dupla de Véronique - La double vie de Véronique



  Véronique e Weronika, além do nome e do gosto por música, partilham também a mesma aparência. Uma é Polonesa e a outra francesa, mas durante uma viagem Weronika vê Véronique subir em um ônibus, ela passa desapercebida pela outra, mas esse breve encontro concretiza para Weronika a lenda de Doppelgänger, de que ver o nosso duplo é um sinal eminente da nossa própria morte. 
 Os filmes do Kieslowski possuem uma atmosfera extrassensorial única, e através dela  podemos enxergar internamente os personagens. Perceberíamos que falta algo em Véronique mesmo se ela não falasse isso a seu pai, percebemos que a personalidade dela é oposta a de Weronika, que prefere se arriscar e provar tudo, enquanto Véronique apenas observa tudo com o olhar de quem já conhece as sensações de experiências por quais nunca passou. A construção semiótica única do filme nos propõe um modo diferente da compreensão da comunicação, como se poucas palavras fossem suficientes para compreendermos profundos sentimentos e tormentos irracionais.


Diretor: Krzysztof Kiéslowski
Ano: 1991
País: França e Polônia 
Minha nota: 9/10


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O homem de palha - The wicker man



  Existem filmes que influenciam outros filmes e existe O homem de palha, que influenciou todo um gênero e inúmeros outros filmes.
  Uma carta anônima é enviada ao Sargento Howie, que é um cristão fervoroso, informando que uma menina não é vista ha meses na ilha em que mora, e os seus parentes e vizinhos aparentam não se importar com o seu sumiço.
  Mesmo sabendo da fama pagã da ilha, o sargento vai até lá para começar a investigação e percebe que os habitantes da ilha tem costumes muito mais "pagãos" do que ele esperava. Orgias ao ar livre, culto a natureza, crença de reencarnação em outro meio de vida e rituais para a colheita. O que parece ser o paraíso para as pessoas que desejam viver sem os padrões cristãos e seguir apenas a sua própria vontade é o literal inferno do Sargento Howie, que suspeita cada vez mais que o desaparecimento da menina tem alguma ligação com os profanos costumes da população (e ele tem toda razão).
 A conspiração que o sargento pressente realmente tem fundamento, mas o que ele não desconfia é que os ritos dessa estranha religião são mais mortais do que aparentam.
  A primeira vez que eu vi esse filme eu esperava algo totalmente diferente, algo padronizado, com bruxas de preto, rituais com muito sangue, cenas noturnas e aparições demoníacas. Eu fui totalmente surpreendida com as músicas, o clima onírico, a claridade e os sorridentes personagens. Para entender o filme precisamos compreender que tudo é relativo, inclusive o bem e o mal.
  É difícil falar sobre O homem de palha e não dar spoiler sobre o super famoso desfecho do filme, mas se você nunca ouviu falar sobre a última cena, assista-o e ela ficará eternamente memorizada em sua mente como uma das cenas mais ousadas do cinema.
  Obs: Eu já assisti a centenas de remakes ruins, mas O sacrifício (2006) é um sacrilégio ao O homem de  palha. Pelo menos eles acertaram no título, por que é um sacrifício conseguir assisti-lo até o final. 

 Destaques:

  • Destaque para o surpreendentemente versátil Christopher Lee, que disse que entre as centenas de filmes que ele participou o que ele mais gostou de fazer foi O homem de palha.
  • Só o contexto da dancinha da Britt Ekland nua, na porta do sargento, já vale pelo filme todo.


 Direção: Robin Hardy
 Ano: 1973
 País: Inglaterra
 Minha nota: 9/10

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O sacrifício do cervo sagrado - The killing of a sacreed deer

  

 Sabe aquela sensação que temos quando achamos que algo ruim irá acontecer? Essa sensação intuitiva é o que melhor descreve o que você sentirá ao assistir O sacrifício do cervo sagrado.
 Steven (Colin Farrell) é um renomado cardiologista e é casado com Anna (Nicole Kidman), com quem tem dois filhos adolescentes. Steven se encontra constantemente com Martin, um jovem cujo o pai faleceu enquanto era operado por Steven, mas esses encontros parecem esconder algo que Steven só perceberá quando as intenções começarem a aparecer por trás do ar de simpatia de Martin.
  Os personagens do Yorgos Lanthimos costumam ser tão expressivos quanto sociopatas ou robôs, e existe também a falta de percepção de algum comportamento totalmente fora do comum, por exemplo a tentativa de sedução assustadora da Alicia Silvertone, se é comigo ou eu saio correndo ou começo a chorar encolhida em um canto.
 O estranhamento é realmente o que se sobressai ao assistirmos qualquer filme do Lanthimos, o primeiro filme que eu assisti dele foi O lagosta, e lembro de pensar durante o filme todo: mas que porra estranha e genial é essa? Então se você é um daqueles que ficam reclamando que o filme é esquisito demais, não assista esse filme, O sacrifício do cervo sagrado foi feito pra pessoas que assim como eu, costumam falar: mano, que filme esquisito, adorei.

Destaques:
  • Pra mim esse foi o filme mais bem dirigido do Yorgos Lanthimos. Aqui ele consegue implementar o clima de tensão com vários elementos, ele utiliza a trilha sonora, os planos de câmera distantes e diferentes ângulos, e até o silêncio parece criar essa atmosfera de suspense.
  • Como ocorrem diversas situações completamente inesperadas, nós temos uma completa falta de suposição sobre o desfecho (mesmo o título dando um puta spoiler), o que provoca uma maravilhosa sensação de angustia que poucos filmes conseguem causar.

 Direção: Yorgos Lanthimos
 Ano: 2017
 País: Inglaterra, Irlanda e EUA 
 Minha nota: 9/10


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Princesa Mononoke - Mononoke Hime



 Ashitaka é um jovem príncipe que ao proteger sua aldeia é amaldiçoado por um deus-javali, ele parte numa longa jornada à procura de sua cura por entre florestas e antigas aldeias do Japão feudal. Ao chegar no oeste, Ashitaka se vê no meio de uma guerra entre mineradores e deuses-animais, que são liderados por San, a princesa Mononoke.
 Lady Eboshi, líder dos mineradores, deseja extrair a riqueza da floresta para trazer prosperidade ao seu vilarejo, mas San e os lobos pretendem defender a floresta a todo custo.
 Considerado o filme mais pesado do Estúdio Ghibli, Princesa Mononoke trouxe fama internacional ao seu diretor e milhões de fãs ao estúdio, além de ser meu filme preferido de um dos meus diretores preferidos.

 Destaque:
 Foi esse filme que me fez virar fã do Miyazaki, em Princesa Mononoke eu percebi que as ambientações dele são as mais impressionantes e criativas que eu já vi. A cidade dos mineradores, a floresta com suas irreverentes criaturas e também as ambientações de outros filmes, como a casa de banhos de A viagem de Chihiro ou o castelo de O castelo animado são lugares que mais parecem sonhos de utopias. 

Direção: Hayao Miyazaki
Ano:1999
País: Japão
Minha nota: 10/10